O hOMEM pASMADO

desabafos de um troglodita moderno

quinta-feira, julho 27, 2006

#00.095 Prá menina e pró menino

PARA AS MENINAS:
"São trocas baldrocas,
Altas engenhocas que eles sabem inventar;
São palavras ocas
Faz orelhas moucas
Não te deixes enganar"

E AGORA, PARA OS MENINOS:
"Quando a cabeça não tem juizo,
O corpo é que paga,
O corpo é que paga;
Deixa-o pagar,
Deixa-o pagar;
Se tu estás a gostar."

E TOCA A RODAR!

--

Pois é, pois é, que querem,
hoje acordei e deu-me pra isto!

--

P.S. - Já agora, não posso deixar de agradecer à Cândida Branca Flor e ao António Variações pela sua colaboração neste post.

terça-feira, julho 25, 2006

#00.094 Monogamia/Poligamia/Promiscuidade - Introdução

Os textos que se seguem (093 até 088) são propostas para explicar algumas ideias enraizadas na nossa sociedade!
Apesar de estar “convencido” da relativa correcção do que escrevo, assumo que são teorias, ou seja, podem estar incompletas, podem estar erradas e de certeza que estão sujeitas ao escrutínio alheio.

Todas as críticas construtivas (sobretudo as negativas) são bem-vindas!

#00.093 Promiscuidade

A palavra “promiscuidade” costuma ser usada num sentido depreciativo. Rotular o comportamento sexual de uma pessoa como promíscuo, sobretudo se for uma mulher, é considerado ofensivo.

No mínimo, assume-se que essa pessoa tem um comportamento irresponsável e/ou leviano.

No entanto, Promiscuidade define uma das três possibilidades de relacionamento entre os seres humanos. Pode constituir uma classificação “técnica”, isenta de julgamentos morais.

A sua carga negativa resulta da mentalidade religiosa judaico-cristã-islâmica, bem como de ideias estereotipadas e/ou preconcebidas sobre a sexualidade.

#00.092 Sexo e família - classificações

O relacionamento sexual e familiar entre indivíduos da espécie humana enquadra-se em três categorias:

Monogamia / Poligamia / Promiscuidade

MONOGAMIA
A sexualidade/conjugalidade é partilhada apenas entre duas pessoas.

Monogamia sucessiva
O casal é formado de acordo com as conveniências da altura e pode ser terminado. Outro casal pode ser formado e assim sucessivamente.


Monogamia simples
O casal é formado para a vida. Se um dos cônjuges morrer, o outro permanece solitário.


POLIGAMIA
A sexualidade/conjugalidade é partilhada por mais de duas pessoas numa relação de um-para-muitos.

Poliginia
Um homem, várias mulheres.

Poliandria
Uma mulher, vários homens.


PROMISCUIDADE
A sexualidade/conjugalidade é partilhada por quatro ou mais pessoas, numa relação de muitos-para-muitos.

Ao contrário das duas formas anteriores, a promiscuidade não tem qualquer subdivisão.
Alguns autores enquadram a promiscuidade na poligamia, ou como uma forma de poligamia. Não me parece correcto. A promiscuidade é uma possibilidade de relacionamento independente, com características próprias.

#00.091 Rigidez e mobilidade nas classificações

As classificações incidem sobre o comportamento sexual / familiar.

Teremos, por exemplo, a monogamia sexual e a monogamia familiar, as quais podem, ou não, ser praticadas em simultâneo.

Por sexual, não considero necessário avançar com qualquer explicação.

Por familiar, assumo a tradição e/ou a lei em vigor em determinado país ou estado, que regula a forma como as pessoas constituem e vivem as suas famílias (conjugalidade).


Rigidez familiar
Numa determinada sociedade, os praticantes de uma das duas primeiras formas, são classificados de forma definitiva. Tanto quanto eu saiba, nenhuma prevê a “mistura” das classificações.
A pessoa que tenha um casamento monógamo, não pode ter ao mesmo tempo um casamento polígamo. E vice-versa.

Não conheço (ou não me lembro de) sociedade alguma que pratique ou tenha praticado o casamento sobre a forma da promiscuidade.


Mobilidade sexual
O mesmo não acontece quando a classificação reflecte as práticas sexuais, as quais sendo muitas das vezes secretas (e enquanto assim permanecerem) escapam a um controlo “oficial” e rígido.
Existem transições entre as várias formas, em diferentes alturas da vida pessoal. Pode inclusive, haver acumulação de classificações numa mesma pessoa, que pode, por exemplo, estar envolvida numa relação familiar/sexual monógama e numa relação sexual polígama ou promiscua!

#00.090 Relações de poder nas três formas

Monogamia sucessiva
1. Ambos os parceiros assumem a relação a dois e a fidelidade sexual como um valor sagrado a defender.


2. Teoricamente, esta é uma relação de igualdade entre as partes. Ambas assumem um relacionamento que lhes impõe um conjunto de limitações partilhadas.


3. Historicamente, a monogamia tem-se revelado uma falsidade.

a) O sexo que detém o poder económico/legal, mantém a monogamia como valor a cultivar, mas apenas para a outra metade. De facto, as sociedades familiares monogâmicas são sociedades familiares/sexuais poligâmicas, sobretudo na forma de poliginia!


4. A monogamia também tem a desvantagem de contrariar o desejo sexual, o qual é independente da emoção. Ao se querer restringir a sexualidade a apenas um parceiro, está-se, de facto, a contrariar a nossa natureza.

a) Está provado que, ao longo da sua vida sexual, muitas pessoas transgridem a regra da fidelidade e outras que não o fazem, perante a possibilidade de a transgredir com a certeza absoluta de que não seriam descobertos, fá-lo-iam!


Monogamia simples
1. Aplicam-se as mesmas questões que para a Sucessiva, com a agravante de se retirar a possibilidade de segunda oportunidade! Como se o outro membro do casal tivesse de pagar uma qualquer factura pela morte do parceiro.


Poliginia
1. O homem assume a liberdade, dependendo das regras em vigor nessa sociedade, de possuir várias esposas e/ou amantes.

a) A fidelidade é obrigatória para a mulher, mas não para o homem.

b) Nessas sociedades, o homem domina religiosa, económica e legalmente, reprimindo, muitas das vezes através da violência física se necessário, qualquer transgressão da parte da mulher, ou tentativas de alterar o status quo.


Poliandria

1. Não tenho grandes conhecimentos sobre esta forma quase extinta de organização, mas o que sei indica que, apesar do domínio feminino, a repressão sobre o homem é muito menor.

a) Ou seja, quando as mulheres dominam, tratam melhor os dominados do que no caso oposto.

b) É compreensível essa maior benevolência feminina, uma vez que o rigor e até mesmo a ferocidade com que os homens dominam, origina-se na “necessidade” de garantir a paternidade e na certeza da superioridade física.


Poligamia/Promiscuidade em sociedades Monogâmicas
1. Nas sociedades ditas ocidentais, onde existe de facto protecção legal à igualdade entre os sexos, são praticadas ambas as formas de poligamia, bem como a promiscuidade.


2. Não sendo permitidas como norma familiar pelo direito em vigor, vão-se mantendo na sua forma sexual, sob a forma de casos extraconjugais, assumidos dentro do casal, ou em segredo.


3. Geradoras de divórcios, penalizam, de uma maneira geral, a mulher. A única vantagem desta é a atribuição de compensações financeiras por parte do ex-marido.

a) As quais dependem muito da eficiência do sistema legal.

b) De resto, a mulher acaba ainda, muitas das vezes, por ficar com a carga mais pesada das obrigações pós divórcio, no caso de haver filhos.


4. Ou seja, excepto alguns casos menos comuns em relação à norma praticada, mesmo nas sociedades onde existe liberdade económico-legal da mulher, esta acaba, muitas das vezes, por ficar mais limitada nas suas opções.

#00.089 Estratégias para garantir a fidelidade feminina

(e assegurar acesso exclusivo à fonte reprodutora)

1. A moral.
2. O controlo de movimentos.
3. A dor ou ausência de prazer do acto sexual.


Sobre 1.
É a forma mais suave de controlo.
É tão eficaz que as vítimas assumem muitas vezes a defesa da moral que as reprime, a favor do opressor e contra outras vítimas que tentam libertar-se.

Sobre 2.
Praticado nas sociedades monogâmicas e poligínicas!
Quer usando acompanhantes, impondo horários reduzidos ou encerrando as mulheres em locais controlados.

Sobre 3.
A forma mais eficaz de garantir a descendência. A mulher não sente qualquer prazer no acto sexual. De facto, muitas das vezes sente dor, fazendo com que o acto seja um sacrifício ao qual se submete por desejo de maternidade, sentido do dever ou por coacção.

#00.088 Monogamia/poliginia e a sociedade patriarcal

Considerando como correcta a premissa:
o homem defende a monogamia/poliginia para defender a “certeza” da paternidade;
Que vantagens existem para a mulher em aceitar a monogamia, uma vez que o problema da incerteza na maternidade não se coloca?

Numa sociedade onde as mulheres são subalternizadas, tratadas como seres inferiores com poucos ou nenhuns direitos, quer económicos quer legais, a mulher necessita de protecção!

Mas protecção de quem?
A única ameaça séria ao ser humano feminino enquanto grupo, é o ser humano masculino.

Entra-se então num círculo vicioso, em que a mãe, a mulher, a filha, são protegidas pelo homem, da ameaça representada por outros homens.

O homem fornece uma solução para um problema que ele próprio representa!

A sociedade patriarcal, assentando na insegurança masculina e no desejo primitivo de se perpetuar através da reprodução, assume uma forma parasitária sobre todas as mulheres!

As mulheres que defendem a monogamia, defendem, independentemente das suas convicções, um valor que lhes foi inculcado desde a nascença pela sociedade patriarcal. Um valor que serviu e serve os interesses dos homens.

Ao dizerem que acreditam nesses valores, pouco mais fazem que confirmar que, a melhor forma de convencer uma pessoa a fazer algo contra os seus interesses, é levá-la a acreditar na correcção desses ideais.
E assim, papagueando os valores masculinos, as mulheres perpetuam um mal que foi e é usado para as tratar como pouco mais do que gado reprodutor.

terça-feira, julho 04, 2006

#00.087 Morte anunciada

Conheço várias formas de uma paixão morrer:

1. Tédio
Acontece quando a paixão se concretiza em relação.
Nada como a realidade para acabar com as ilusões!
Se der para o torto,a paixão não passa a amor, ou este dura pouco tempo.

2. Conversão
A relação correu bem e a paixão "converte-se" em amor.

3. Dor Aguda (sofrimento)
A relação concretiza-se mas termina antes do tédio acabar com a paixão!

4. Dor crónica (morte lenta)
A relação nunca se concretiza e a paixão vai-se arrastando ao longo dos anos, muitas vezes atravessando várias relações!

#00.086 Citando:

(...)
É verdade, tu seduziste-a, mas ela também te seduziu. Entre as astúcias das mulheres e a avidez dos homens, de que serve discernir quem é mais responsável?
(...)
P.340

«A Montanha da Alma»
Gao Xinjian
Publicações D. Quixote

-

A tua exigência sem amor, revolta-me.
O teu amor sem exigência, humilha-me.
O teu amor exigente, dignifica-me.
Henri Caffarel, padre francês

-

Um amor sem exigência não é amor.
Seja por preguiça ou por medos, o amor mole, demasiado condescendente e inconsequente, não é amor.
É coisa nenhuma.
Laurinda Alves, Revista Xis, 358 / 13MAI2006

Curtas #0016

O amor por um homem não vale o fim da amizade entre duas mulheres.
(e vice-versa)

Curtas #0015

É mais fácil ter bom sexo, do que boa amizade.

#00.085 Amizade e sexo

Muitas pessoas acreditam que não é possível haver “apenas” amizade entre um homem e uma mulher!

Conheço três categorias em que essa situação pode ser enquadrada:

1. Inexistência de atracção mútua.

2. Atracção de um para outro.
a) Homem pela mulher
b) Mulher pelo homem

3. Atracção mútua
a) H > M
b) M > H
c) H = M

Exceptuando o caso 1, que é fácil, os outros dois apresentam em ordem crescente, maior dificuldade em evitar um envolvimento sexual.

São vários os factores que intervêm na decisão de passar de “apenas” amizade, para amizade + sexo.

4. Quantidade de atracção individual ou mútua.
Quanto maior for a atracção mais difícil será.
Se for mútua, ainda pior.

5. O grau de satisfação emocional e sexual presente.
Que pode resultar da conjugação de vários factores:
a) Relação estável.
b) Relações ocasionais.
c) Experiências passadas e grau de satisfação e auto-estima obtidos.
d) Felicidade profissional.
e) Felicidade familiar.

6. Facilidade em encontrar novos parceiros sexuais.

7. Maior ou menor preponderância para a actividade sexual.

8. Moral/Ética religiosa e/ou pessoal.

Em último caso, pode resumir-se tudo ao grau de maturidade dos intervenientes. Quanto maior for, maiores as probabilidades de ter sucesso!

Penso que se pode propor uma relação de proporcionalidade directa entre a “quantidade/qualidade” de atracção física e a “quantidade/qualidade” de maturidade necessária para resistir!

#00.084 Carinho: dar e receber

O acto de dar e receber carinho, desenvolve-se em 3 fases que se interrelacionam em progressão:

(1.)
O acto de dar carinho.

(2.)
Acreditar que o carinho dado é recebido com prazer.
(carinho que nos é dado de forma passiva)

(3.)
Receber carinho.
(carinho que nos é dado de forma activa)

Acarinhar alguém de quem se gosta é um acto que dá prazer.
No entanto, é um acto que se completa apenas em (2.) e atinge o expoente máximo em (3.).

Quando damos (1.), sem receber (2.), talvez seja inevitável sentirmo-nos frustrados e tristes.

A ausência de confirmação de que aquilo que damos não é recebido com (pelo menos) igual prazer com que foi dado, magoa.
E, quanto maior a entrega, maior a angustia.

A insistência em praticar (1.) sem receber (2.) pode conduzir a uma situação em que a vontade de dar carinho se associa à dor.

Receber (3.) é importante, mas não é crucial.

#00.083 O sexo e as suas finalidades

Ou, por outras palavras, os tipos de quecas:

1. Reprodutora
2. Religiosa
3. Conjugal
4. Por amor
5. Recreativa
6. Terapêutica
7. Profissional
8. Estratégica
9. Doentia

Cada uma destas finalidades tem as suas características específicas, as quais se podem intercruzar.


1. A queca reprodutora:
O objectivo é a reprodução. Pode acontecer fora da conjugalidade.

2. A queca religiosa:
Praticada em várias religiões/culturas ao longo da nossa história.

3. A queca conjugal
a) Por obrigação:
a chamada consumação do casamento.
b) Por reprodução: Porque é preciso multiplicar-nos.
c) Por amor: Porque é bom fazê-lo com quem se ama e se casou.

4. A queca por amor
Porque é bom com quem se ama, mesmo sem casamento.

5. A queca recreativa
Porque é bom, mesmo sem amar e sem casamento.

6. A queca terapêutica
a) Por amizade/carinho:
Porque a outra pessoa nos é querida e porque uma boa sessão de sexo faz bem e alivia a alma.
b) Para acalmar o corpo e o espírito: Por vezes a masturbação decomplexada é recomendada para adormecer mais rápido. E sem dúvida que é mais agradável que contar carneirinhos

7. A queca profissional
Pagar pelo sexo.
Porque este é uma actividade como tantas outras, também se pode comprar e vender.

8. A queca estratégica
a) Para subir na carreira:
A chamada progressão horizontal.
b) Espionagem: Para obter informação.
c) Guerra: Como forma de humilhação, terror e submissão.

9. A queca doentia
a) Baixa auto-estima:
Para aquelas pessoas que necessitam de sexo para se relacionarem.
b) Violação / pedofilia.
c) Vingança.

#00.082 Desafios

Costumo desafiar as pessoas no seguinte:

Se eu fosse extraterrestre, de uma espécie que se reproduzisse assexualmente, como explicariam plausível e coerentemente, os ciúmes, o sentimento de posse, a monogamia e a sua associação ao amor?

Até agora, nunca ninguém o conseguiu!
É isso que procuro, alguém que me explique a coisa…

#00.081 Cenas de um filme antigo

Não seria ridículo fazer uma cena de ciúmes por causa de uma amizade?

Dizer algo como: Só podes ter-me a mim como amigo(a)!

Porque se fazem então, cenas de ciúmes por causa do sexo?

Seremos nós menos homens ou mulheres, menos gente, por as pessoas que amamos partilharem a sua sexualidade com outras, tal como o fazem com a amizade?

#00.079 Os muros, a paisagem e a fidelidade

Existem pessoas que insistem em levantar muros numa paisagem bela a perder de vista!

Ou, por outras palavras:
O problema não está em ser-se feliz com a monogamia.
O problema está em apenas se ser feliz com a monogamia!

#00.078 A liberdade de consumir

A liberalidade/liberdade sexual não significa, nem conduz obrigatoriamente à sua prática em quantidades industriais.

A conjunção entre os critérios, as oportunidades e o bem-estar pessoal, influenciam grandemente o comportamento e as escolhas.

Ou seja, não é porque uma pessoa acredita que o sexo é coisa simples e natural, que é “obrigada” a foder com tudo e mais alguma coisa que lhe apareça pela frente!

Creio que muitas pessoas assumem religiosamente a fórmula: Liberdade sexual = sexo em quantidade exagerada!

Não é porque se gosta de doces e que se podem comer todos quantos se quiser (ou a barriga aguentar), que se vai passar o tempo a fazê-lo!