O hOMEM pASMADO

desabafos de um troglodita moderno

quinta-feira, abril 24, 2008

#00.171 Fernando Pessoa "O amor, quando se revela"

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.


Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Roubado daqui:

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quarta-feira, abril 16, 2008

#00.170 You say i'm a bitch Like it's a bad thing

Um belo livrinho, ao jeito de calendário, feito para estar numa mesa para provocar quem passa, com as mudanças diárias de folha.
Dá-me vontade de ter um trabalho de escritório :-D







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"You say i'm a bitch Like it's a bad thing"
Ed Polish & Darren Wotz
Ten Speed Press

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domingo, abril 13, 2008

#00.169 Discriminação no feminino – parte 1 de 6

Dois posts sobre ginásios que não aceitam membros do sexo masculino e alguns comentários sobre o assunto, levaram-me a alinhavar umas ideias sobre a discriminação à qual os homens estão submetidos, sobre os processos de mudança de mentalidades numa sociedade e sobre a atitude das mulheres que se sentem ofendidas com o machismo masculino mas que fecham os olhos à discriminação que as beneficia.

Porque, de facto, não deixa de ser caricato ver mulheres a lutarem contra os estereótipos camuflados presentes em anúncios de televisão, cartazes de rua e revistas; contra crenças e comportamentos específicos (masculinos e femininos); contra políticas governamentais que as prejudicam, que as reduzem enquanto pessoas e depois assobiarem para o lado face a situações destas, que são discriminatórias, mas que servem os seus interesses.
(a hipocrisia, como é sabido, não tem sexo atribuído)

Infelizmente não percebem que o combate ao estereótipo que condiciona os homens a determinados comportamentos que os prejudicam e que, eventualmente, as beneficia, faz parte da luta maior para atingiram a “igualdade” que merecem.

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Os posts antigos:
http://homempasmado.blogspot.com/2007/08/00142-menino-no-entra.html

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#00.168 Discriminação no feminino – parte 2 de 6

Quando as vítimas são eles
Com tantas formas de discriminação que os homens têm vindo a praticar sobre as mulheres, passa-nos muitas vezes ao lado, todas as formas que podem sofrer.

1.
O inverso do estereótipo
É o que resulta de se praticar a parvoíce do sexo frágil (mulher) sexo forte (homem).

Condicionados a um papel que não é o deles, os homens têm ao longo dos tempos, sido presa da sua suposta força, que os obriga a esconder ou a negar os sentimentos. A ser-lhes exigida competência em determinadas situações de liderança que, enquanto pessoas, podem não possuir.

2.
Alguns exemplos práticos de outras formas de discriminação

Homem que é homem não usa saia, excepto se for escocês e lhe chamar Kilt!

Determinadas profissões, determinadas actividades, não são para “homens de barba rija”.

Já repararam na desvantagem que os homens têm na sua indumentária de trabalho? É vê-los de fato e gravata, mesmo com um calor de sufocar! Elas têm sempre muito mais por onde escolher.

Uma mulher que case por dinheiro, pode ser rotulada de muita coisa, mas ninguém acredita que isso lhe afecte a feminilidade. Um homem que viva à conta de uma mulher, bem... há qualquer coisa errada com esse gajo!

As mulheres podem andar de mãos dadas, ter manifestações de carinho público, abraçarem-se, etc, etc, apenas porque são amigas. Não se assume obrigatoriamente que são homossexuais. Se os homens tiverem igual comportamento…

Muitas mulheres continuam à espera que seja o homem a pagar a despesa! Que tome a iniciativa! São os homens que “têm” de oferecer flores, de telefonar depois, que se “devem” levantar nos transportes públicos…

Foi preciso inventar uma “moda”, um rótulo, para que os homens vaidosos ou (simplesmente) que se preocupavam com a sua aparência tanto ou mais que as mulheres, se sentissem “enquadrados” no esquema das coisas! Nasceu o Metrossexual!

Os problemas que os pais enfrentam, quando pretendem a custódia dos filhos, ou dispondo de licença de paternidade inferior às mães.
Passaria pela cabeça de algum homem, há 50 anos atrás, mascarar-se de batman (ou de outra coisa qualquer), para pretestar contra a forma como as mães são sistematicamente beneficiadas nas custódias dos filhos?

Ainda continua a parecer “estranho” um gajo dizer que não a uma gaja boa!

Gosto sobretudo daquelas raparigas que se fazem aos homens descaradamente, que mandam bocas em público, que, pasme-se, apalpam os gajos! Para elas tudo normal, homem não se importa com isso, não se pode sequer sentir ofendido. É claro que se fosse o inverso, se fossem elas as tocadas, as comentadas, as comidas com os olhos…


P.S.
É claro que a discriminação masculina é muito menos prejudicial para os homens, do que a feminina para as mulheres. Sobretudo, em sociedades onde a mulher ainda é tratada abaixo de cão.

No entanto, não posso deixar de reforçar que a primeira ajuda a segunda e que as mulheres, na nossa sociedade, deveriam fazer a “sua” parte em combater esses estereótipos que acabam por as prejudicar.

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#00.167 Discriminação no feminino – parte 3 de 6

A discriminação vem devagarinho – parte I
Tendo em conta que isto começou com ginásios que não admitem homens, até pode parecer que estou a fazer uma tempestade num copo de água!

Afinal, ginásios existem muitos, e os homens não deixarão de ter escolha!

Qual é então o problema de haver ginásios que praticam discriminação activa sobre uma parte da população?
À parte as questões legais, já referidas, será a discriminação em causa, inocente, sem consequências de maior? (Haverá discriminação inocente? Sem consequências?)

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Penso que na maioria das vezes, a transformação das mentalidades acontece devagar, com as mudanças de valores a acumularem-se de geração em geração.

Além dos ginásios, já li sobre hotéis e uma das comentadoras de um post mencionou praias. Ficará por aqui? Quando virão os cafés só para mulheres, as firmas de advogadas, os hospitais?

Ainda há anos atrás, havia um banco em Portugal que não tinha quase nenhumas mulheres nos seus quadros. Virá o tempo em que os Bancos poderão recusar homens?

Tendo mulheres e homens lutado pelo fim da discriminação do sexo feminino, porque era inaceitável, começar-se-á agora a discriminar o sexo masculino?

A alteração dos valores pode começar assim. Devagarinho, insinuando-se em pequenas coisas. Tão pequenas que até temos vergonha de protestar contra elas, com receio de sermos ridicularizados.

É por isso que devemos estar atentos. A manutenção da democracia, o combate ao preconceito, a construção de uma sociedade menos injusta, é um processo contínuo. Se pensam que está garantido. Desenganem-se!

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#00.166 Discriminação no feminino – parte 4 de 6

A discriminação vem devagarinho – parte II
Esse processo de alteração, não é obrigatoriamente mau.

O exemplo a seguir é positivo (embora nem todas as pessoas concordem) e creio que ilustra como a alteração de mentalidades permitiu criar a sociedade na qual vivemos. Uma sociedade, onde, ao contrário de outras habitadas por centenas de milhões de pessoas, as mulheres, apesar de serem ainda discriminadas, são legal e economicamente independentes.

O exemplo que vou dar baseia-se num factor muitas vezes diminuído na sua importância: a moda!

Os trapinhos que usamos, os desfiles, o culto dos modelos, da “fashion”, foram e são um grande aliado na luta das mulheres contra as mentalidades instituídas, contra a discriminação.

1.
Existe, na nossa sociedade, uma relação directa entre as roupas que usamos e a forma como encaramos a sexualidade e a liberdade sexual!

Para ver essa relação, basta considerar a redução das roupas, em quantidade e tamanho, com o aumento da liberdade.

Atente-se também ao aumento de liberdade sexual, à redução da estigmatização do sexo pré-marital e da liberdade económica e legal feminina. Estes factores parecem estar interligados. O aumento de um conduz, em princípio, ao aumento de outro.

2.
Imaginem-se, as meninas que gostam de praticar topless nas nossas praias, ou apenas a usar um biquini, a fazerem-no há cem (ou menos) anos atrás?

Que aconteceria? Prisão por atentado ao pudor, internamento compulsivo em manicómio, espancamento, etc, etc.

3.
E os vossos queridos avós e pais, de quem as meninas devem gostar tanto, no “tempo deles”, não vos rotulariam de rameiras, boas para dar umas quecas, mas nunca na vida para constituírem família?

Agora? Se um tosco vos dissesse que não vos quer porque já tiveram sexo com outro gajo, porque mostram muita pele na praia, que lhe diriam?

4.
E um tipo que vos dissesse que após casarem com ele deveriam deixar o emprego porque uma mulher casada não deve trabalhar? Deve ficar em casa a cuidar da prole?

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#00.165 Discriminação no feminino – parte 5 de 6

Será que a actual condição feminina apareceu do nada?
As mulheres conquistaram o direito a frequentarem a universidade, o direito de voto, o direito de escolherem a sua profissão e de serem bem remuneradas por trabalharem bem, o direito a escolherem o parceiro sexual, o marido, sem serem coagidas, do dia para a noite?

A alteração de mentalidades que fez com que o homem aceitasse como normal o sexo pré-marital por parte das mulheres, que a mulher fosse melhor remunerada veio de onde? E como?

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Resumindo:
Tal como na moda, em que os desfiles de alta-costura com aqueles vestidos tão “estranhos” foram preparando as mentalidades para a moda do dia a dia ir mudando, num processo cumulativo, a malta vai-se habituando à mudança e pode dizer “calma e normalmente” quando vê passar alguém na rua, vestido(a) de maneira “esquisita”: já vi pior e custava muito mais caro!

Da mesma forma, de cada vez que se dá um passo para reduzir ou eliminar uma forma de discriminação, cria-se “balanço” para a próxima etapa.

Esta é a boa notícia.
De inaceitável para os avós, de engolir sapos para os pais, de normal para nós e de ridículo ser de outra maneira para os nossos filhos.

A má notícia é que o inverso também pode acontecer.

Se vamos deixar que a discriminação, por muito inofensiva que pareça agora, se instale, que sociedade terão os nossos netos?

Será que somos tão estúpidos como espécie e como indivíduos que não aprendemos com a nossa História?


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P.S.
Para ilustrar na prática a moral vigente em Portugal ainda na década de 50 e 60 do séc. XX e uma das formas como a mentalidade patriarcal (comum a homens e mulheres) tenta condicionar o comportamento feminino, dêm uma vista de olhos a um post de Maio de 2006: Frases retiradas de revistas femininas da década de 50 e 60: (Humor negro, vindo dos confins do nosso passado!)
http://homempasmado.blogspot.com/2006/05/00072-antigamente-que-era.html

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#00.164 Discriminação no feminino – parte 6 de 6

Só para terminar
Compreendo e até sinto alguma simpatia pelas mulheres que se sentem incomodadas, ao irem a um ginásio (ou a outro lado qualquer), a quererem apenas efectuar um bom treino e estar à vontade, terem de levar com os gajos que as despem com os olhos, “terem” de se preocupar com os trapinhos (por alguma razão a marca G tem tanto sucesso).

No entanto, é importante compreender e aceitar que isso é o resultado de um melhoramento da condição feminina. O reverso da medalha das conquistas obtidas. Do direito de sair de casa sem “escolta” masculina, de, dentro de certos limites convencionados, escolher o tipo e quantidade de roupa que se usa, de usar decotes enormes e saias curtíssimas, de escolher com quem e quando se relacionam.

O direito de frequentarmos livremente locais públicos, de ter comportamentos e usos públicos conduz ao escrutínio por parte de terceiros desses mesmos comportamentos e usos.

As consequências podem ser desagradáveis, uma vez que existem pessoas desagradáveis, mas, até o ser humano se tornar uma pessoa melhor, aprendermos a lidar com a avaliação alheia, sem que esta condicione os nossos valores, é um ganho.

Criar locais públicos pagos de acesso reservado não é uma solução. É uma fuga. As mulheres, em vez de continuarem a lutar para forçarem as criaturas medíocres (homens e mulheres) a mudarem de mentalidade, começam a enveredar por esse mesmo caminho do qual os homens estão a sair.

Não me parece sábia política, tornarem-se como nós fomos.
Afinal, como disse uma feminista:
“Mulheres que querem ser iguais aos homens, não têm ambição!”

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